Olha quem voltou... Há quanto tempo! Eu bem que tenho tentado falar convosco, mas têm-me virado sempre a cara, vá-se lá saber porquê. Estão bons? Hm hm... Claro, claro. Vá, já chega, não sou nenhum ombro amigo para chorarem, se quiserem pagam 50 euros à hora e aí até o ranho vos limpo com muito carinho. Estava eu a ver o Sócrates a perguntar se ficava melhor para aqui ou para ali, quando fiquei cheio de calor (não pelo facto de estar a ver o senhor na televisão, entenda-se. Já não fazia um parêntesis desde 1973, até que soube bem). Chamei a Adriana Lima e pedi-lhe, aliás, ordenei-lhe para ligar o ar condicionado e trazer-me uma limonada de laranja. Ela disse-me que não podia ser, porque não tínhamos pago a luz (daí estar a ver televisão à luz da lareira e ter ficado cheio de calor) e que não dava para fazer limonada de laranja. Dei-lhe uma bolachada, pu-la fora de casa e chamei a Rita Pereira (sim, cedi. Ela insistiu tanto em vir viver comigo sem me conhecer que tive de aceitar). "Rita, faz-me uma limonada de papaia e vai roubar a ventoinha a pilhas do vizinho do 5º esquerdo, se não te importares. Se te importares, vai na mesma, que gosto de te ver contrariada." Lá foi ela tratar dos recados, voltando ofegante e sem um braço que o vizinho tinha conseguido cortar a tentar evitar que roubasse a ventoinha. Podia ter sido pior. Liguei a ventoinha e ali fiquei, a olhar para a lareira enquanto levava com a suave brisa tempestuosa. Daí a umas horas, a Rita, já com o curativo feito no coto do braço cortado, abraçou-me (não sei se posso dizer que me abraçou, porque costuma dizer-se isso para pessoas com 2 braços) e disse: deixa a ventoinha ligada e vem dormir, porque assim amanhã a sala está fresquinha. "Oh minha centopeia felpuda, quem é que te disse essa barbaridade?", perguntei. "Ah, a senhora do 3º direito, que deixa a ventoinha ligada todos os dias para refrescar a casa." Porque é que as pessoas têm esta mania? A ventoinha só serve para convergir ar para o nosso focinho, mas este continua à mesma temperatura... Aliás, já dizia a minha professora de Inglês (ou seria a de Fisico-Quimica? Não me lembro.) "se deixarmos uma ventoinha ligada dentro de um sistema isolado, o ar aí contido não só não arrefece, como acaba por subir de temperatura, devido ao calor dissipado, sob a forma de trabalho, pelo motor da ventoinha." Estão a ver? Já aprenderam qualquer coisa hoje. Não foi é neste texto, mas acredito que tenham aprendido qualquer coisa na escola, ou na faculdade, ou no trabalho, ou no café, ou na mercearia, ou na peixaria, ou na discoteca, ou no infantário, ou no lar, ou no rancho folclórico. Bem, já tenho a ventoinha ligada há 7,234534675534 horas na sala, já é capaz de estar fresquinha. Beijinhos, abraços, e muitos palhaços, que é o que o povo gosta.
sábado, 9 de abril de 2011
sexta-feira, 18 de março de 2011
Título sério, post não-sério. Lamento imenso o que se passou no Japão e espero que o país recupere rapidamente.
Sentiram? Parecia um terramoto... "Tu também? Já estamos fartos de ouvir piadas sobre o Japão!". Ai, que estamos tão sensíveis! Já parecem os patrões dum comediante americano, que por fazer uma ou outra piada sobre o tremor de terra foi despedido. "O Japão é um país tão avançado, mas tão avançado, que as pessoas em vez de irem à praia, vem a praia ter com elas." é uma das coisas bonitas que ele disse. É ou não é uma frase bonita, poética até? Eu acho. É isso e o governo japonês dizer que não há motivos para alarme quando se refere a um desastre nuclear. Dizia o porta-voz dos peritos de olhos em bico que não vão haver contaminações graves, e que está tudo sob controlo, enquanto passava por trás dele um senhor com três olhos e um braço a nascer no queixo. "Isto não é igual ao desastre de Chernobyl", dizem os japoneses. Pois não, Chernobyl fica na Ucrânia e foi há mais de 20 anos. Ainda na semana passada estive a jogar paintball contra os mutantes que lá vivem escondidos. Até são simpáticos, quando não estão com os 23 olhos esbugalhados a olhar para nós ou quando nos metem as 7 mãos esquerdas no nosso ombro. Com o desastre no Japão, já vou ter outra cidade para jogar paintball. É porreiro, porque ainda não conheço o mapa nem os melhores esconderijos, vai dar-me mais gozo. Sou horrível, eu sei.
Sabem o que é que também é horrível? O facto de vocês serem sardinhas-almiscaradas-caspudas-pestanudas-do-Tibete. Mas já me estou a habituar. Aquilo a que não me consigo habituar e irrita-me solenemente (vá, ligeiramente) é quando num teste ou exame, alguém chama o professor e diz "Não percebo o que é que eles querem dizer com isto...". ELES? Três biqueiradas nas ventas era pouco. Desde que me lembro de ter aulas (e, curiosamente, é cerca de 90% da minha vida), havia sempre um marmanjo que perguntava "Professor, o que é que eles querem dizer com isto?". Dava-me vontade de me levantar e ir fumar um cigarro, mas como não fumo, ficava quieto no meu lugar a remoer. Será que não percebiam que quem fazia os testes eram os professores? O único teste em que a pergunta até poderia fazer sentido era num exame nacional, mas aí não eram permitidas perguntas ao professor vigilante. Quase que aposto que as bestas paralelipipedais que faziam a tal pergunta imaginavam um grupo de intelectuais gadelhudos e barbudos reunidos numa sala secreta a fazer os testes, ou então um grupo de mutantes de Chernobyl fechados numa cave a executar a mesma tarefa. Bom, visto que acabei de reservar o meu lugar no Inferno, vou espetar canetas de ponta fina nos olhos dos sobreviventes do tsunami do Japão, para ver se estão em choque ou não (em vez de usar o método clássico de apontar a lanterna para os olhos). Ok, agora é que vou mesmo para o Inferno.
Sabem o que é que também é horrível? O facto de vocês serem sardinhas-almiscaradas-caspudas-pestanudas-do-Tibete. Mas já me estou a habituar. Aquilo a que não me consigo habituar e irrita-me solenemente (vá, ligeiramente) é quando num teste ou exame, alguém chama o professor e diz "Não percebo o que é que eles querem dizer com isto...". ELES? Três biqueiradas nas ventas era pouco. Desde que me lembro de ter aulas (e, curiosamente, é cerca de 90% da minha vida), havia sempre um marmanjo que perguntava "Professor, o que é que eles querem dizer com isto?". Dava-me vontade de me levantar e ir fumar um cigarro, mas como não fumo, ficava quieto no meu lugar a remoer. Será que não percebiam que quem fazia os testes eram os professores? O único teste em que a pergunta até poderia fazer sentido era num exame nacional, mas aí não eram permitidas perguntas ao professor vigilante. Quase que aposto que as bestas paralelipipedais que faziam a tal pergunta imaginavam um grupo de intelectuais gadelhudos e barbudos reunidos numa sala secreta a fazer os testes, ou então um grupo de mutantes de Chernobyl fechados numa cave a executar a mesma tarefa. Bom, visto que acabei de reservar o meu lugar no Inferno, vou espetar canetas de ponta fina nos olhos dos sobreviventes do tsunami do Japão, para ver se estão em choque ou não (em vez de usar o método clássico de apontar a lanterna para os olhos). Ok, agora é que vou mesmo para o Inferno.
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